segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tudo ou Nada



Nada a falar, tudo a pensar
Nada a pensar, tudo a escrever
Nada a escrever, tudo a ler
Nada a ler, tudo a ver
Nada a ver, tudo a falar
Nada a esconder
Tudo a perceber
Nada a temer
Tudo ou nada

Tudo a sentir, nada a sorrir
Tudo a sorrir, nada a mentir
Tudo a mentir, nada a acabar
Tudo a acabar, nada a destruir
Tudo a resistir
Tudo a restaurar
Nada a continuar
Nada a alterar
Tudo ou nada

Nada faz falta
Tudo persiste
Nada mais existe
Tudo incomoda
Nada mais importa
Tudo em minha volta
Tudo a ver
Com nada
Tudo ou nada

Nada faz viver
Tudo faz morrer
Nada mais incomoda
Nada mais importa
Tudo faz crescer
Tudo faz ver
Tudo ou nada

Tudo leva a crer
Que nada mais tem volta
Nada em minha volta
Tudo a perceber
Nada mais a nascer
Nada a morrer
Tudo faz falta
Nada mais tem volta
Nada a dizer...
Tudo ou nada

Tudo tem a ver
Com nada que revolta
Nada mais importa
Tudo o que venha a dizer
Nada a escolher
Tudo a aceitar
Nada a recusar
Tudo e nada
Tudo ou nada 

Anderson Batistello - 08/09/2004

terça-feira, 17 de maio de 2011

Transitoriedade


Os sonhos são os pilares do destino
Que se desgastam de modo contínuo
Com o decorrer dos fatos diários
Tornando frágil a estrutura sustentada
Pelos objetivos da vida mais pesados
Construídos durante a adolescência
Até mesmo na fase adulta já alcançada

Não há um período definido
Para o início das obras
Mas o fim já está programado
Antes mesmo do nascimento,
E do óvulo fecundado.

O fim chega inesperadamente
Mas costuma vir mais rápido
Quando ficamos cansados
E incapacitados de lutar
Em busca da nossa felicidade
E do nosso bem-estar.

Infeliz é aquele que não acredita
Que a vida não pode ser bem vivida
Deveria ter em mente:
A morte é apenas uma outra laje
Sustentada pelos alicerces
Da sobrevivência e da dignidade
Essenciais para essa renovação contínua
Característica da natureza humana
E da transitoriedade da vida.

Anderson Batistello - 24/09/2001

terça-feira, 3 de maio de 2011

A Musa

 
Vejo sua face pálida e suave ao travesseiro.
Vejo seu corpo perfeito refletido pelo espelho.
Gosto tanto de amansar seus sedosos cabelos.
Sinto-me tão relaxado, livre do desespero.

Gostaria tanto de ver seus olhos novamente.
Aqueles olhos azuis que ainda hei de admirar.
Pois ainda aguardo seu despertar ansiosamente.
Para vê-los reluzentes, belos como o mar.

Imagino a existência de um paraíso secreto.
Ainda procuro descobrir quais são os mistérios.
Da profundeza e beleza de seus olhos azuis
Que são os espelhos da sua alma
E que refletem o meu céu, a magnífica luz.

E sua pele clara, tão branca como seu longo vestido.
O qual demonstra a formosura deste seu corpo bem esculpido.
Suas formas são tão perfeitas, sua face é tão bela.
Não há como negar que a sua beleza é realmente eterna...

Anderson Batistello – 06/02/2002
 
Comentários: composição inspirada em um sonho que tive. Assim que me despertei, escrevi. Com a idéia que me surgiu, a intenção era escrever um poema nada conciso, porém decidi deixar este assim e mais tarde compor outro mais longo e detalhado, e compus. Em breve, postá-lo-ei aqui.